
Hemorio e Prefeitura fazem em julho campanha
de doadores de medula óssea em Teresópolis
Está marcada para os dias 11 e 12 de julho a 1ª Campanha de Captação e Cadastramento de Doadores de Medula Óssea em Teresópolis, fruto de parceria entre Hemorio – Instituto Estadual de Hematologia Arthur Siqueira Cavalcanti – e Prefeitura, através de sua Secretaria Municipal de Saúde. O atendimento acontecerá no Hemonúcleo Municipal, instalado no recém-reformado Centro de Saúde da Várzea, das 8h30 às 17h30. A meta é fazer de 1.200 a 2.000 coletas de sangue para teste.
O objetivo da campanha é aumentar a chance de encontrar doadores compatíveis para o banco de dados do Registro Nacional de Medula Óssea (Redome), órgão que faz parte do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e que reúne informações de pessoas que se dispõem a doar medula óssea para transplante. Para se ter idéia da dificuldade, a probabilidade de se achar doador compatível é de uma em cem mil pessoas. A ação, realizada regularmente pelo Hemorio nos municípios fluminenses, também é motivada para atender os três pacientes de Teresópolis que necessitam de transplante de medula óssea. Entre eles, Nathan Garcia Leitão, 13 anos, portador de leucemia crônica e que descobriu a doença há cerca de um ano.
“O governo do prefeito Roberto Petto sempre busca parcerias com órgãos que possam auxiliar a Prefeitura a oferecer o melhor atendimento possível em saúde à população. E o Hemorio é um desses importantes parceiros. Esta campanha vai auxiliar muitos pacientes que dependem da solidariedade para alcançar a cura. É através de iniciativas como esta que conseguiremos mudar o cenário da captação de doadores no Brasil”, avalia o secretário de Saúde de Teresópolis, Paulo Camandaroba.
Em visita técnica nesta terça-feira, 10, a responsável pela coleta de medula óssea do Hemorio e coordenadora da campanha, a assistente social e psicóloga Regina Lacerda, aprovou as instalações do Centro de Saúde da Várzea e do Hemonúcleo Municipal para a realização da Campanha de Captação e Cadastramento de Doadores de Medula Óssea. Ela vistoriou a unidade de saúde acompanhada do secretário de Saúde Paulo Camandaroba e da responsável técnica pelo Hemonúcleo, hematologista Joelma Bispo Martins de Oliveira. “O Centro de Saúde tem excelente estrutura e localização para a realização da campanha, com espaço adequado para os mais de mil atendimentos que pretendemos fazer. Esperamos contar com a colaboração maciça da população de Teresópolis, pois a doação de medula óssea pode salvar muitas vidas que estão na fila do transplante”, ressalta Regina Lacerda.
Pai do menino Nathan, o petroleiro Christiano Miranda aprova a iniciativa. Ele e a família estão mobilizados há vários meses tentando captar doadores de medula óssea. Nesse período, ele conseguiu levar cerca de duzentas pessoas ao Hemorio para a coleta de sangue e realização de teste de compatibilidade. “Essa campanha vai facilitar muito a nossa vida e a dos outros pacientes que precisam de transplante. A população é solidária, mas tinha dificuldade de ir ao Hemorio para fazer a doação de sangue”, conta.
A doação
Para participar da campanha, o doador precisa ter entre 18 e 55 anos e estar em bom estado geral de saúde (não ter doença infecciosa ou incapacitante), além de apresentar documento original de identidade. A pessoa doa pequena quantidade de sangue para que seja feito teste de compatibilidade e identificadas as características genéticas que podem influenciar no transplante. O nome do doador fica cadastrado no Redome e ele será procurado quando for encontrado um receptor compatível. A partir daí novos testes serão feitos para a confirmação de dados e o doador será consultado sobre a doação, que é feita no Hemorio.
Perguntas e respostas sobre Transplante de Medula Óssea
O que é medula óssea?
É um tecido líquido que ocupa o interior dos ossos, sendo conhecida popularmente por 'tutano'. Na medula óssea são produzidos os componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), os leucócitos (glóbulos brancos) e as plaquetas.
O que é transplante de medula óssea?
É um tipo de tratamento proposto para algumas doenças malignas que afetam as células do sangue. Ele consiste na substituição de uma medula óssea doente, ou deficitária, por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma nova medula.
Como é o transplante para o doador?
Antes da doação, o doador faz um exame clínico para confirmar o seu bom estado de saúde. Não há exigência quanto à mudança de hábitos de vida, trabalho ou alimentação. A doação é feita por meio de uma pequena cirurgia, de aproximadamente 90 minutos, em que são realizadas múltiplas punções, com agulhas, nos ossos posteriores da bacia e é aspirada a medula. Retira-se um volume de medula do doador de, no máximo, 10%. Esta retirada não causa qualquer comprometimento à saúde.
Como é o transplante para o paciente?
Depois de se submeter a um tratamento que destrói a própria medula, o paciente recebe a medula sadia como se fosse uma transfusão de sangue. Essa nova medula é rica em células chamadas progenitoras, que, uma vez na corrente sangüínea, circulam e vão se alojar na medula óssea, onde se desenvolvem. Durante o período em que estas células ainda não são capazes de produzir glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas em quantidade suficiente para manter as taxas dentro da normalidade, o paciente fica mais exposto a episódios infecciosos e hemorragias. Por isso, deve ser mantido internado no hospital, em regime de isolamento. Cuidados com a dieta, limpeza e esforços físicos são necessários. Por um período de 2 a 3 semanas, necessitará ser mantido internado e, apesar de todos os cuidados, os episódios de febre são quase uma regra no paciente transplantado. Após a recuperação da medula, o paciente continua a receber tratamento, só que em regime ambulatorial, sendo necessário, por vezes, o comparecimento diário ao hospital.
Quais os riscos para o paciente?
A boa evolução durante o transplante depende de vários fatores: o estágio da doença (diagnóstico precoce), o estado geral do paciente, boas condições nutricionais e clínicas, além, é claro, do doador ideal. Os principais riscos se relacionam às infecções e às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. Com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova 'memória' e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos. Esta complicação, chamada de doença enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados. No transplante de medula, a rejeição é rara.
Quais os riscos para o doador?
Os riscos são poucos e relacionados a um procedimento cirúrgico que necessita de anestesia geral, sendo retirada do doador a quantidade de medula óssea necessária (menos de 10%). Esta pequena cirurgia tem duração de aproximadamente 90 minutos e consiste de 4 a 8 punções na região pélvica posterior para aspiração da medula. Dentro de poucas semanas, a medula óssea do doador estará inteiramente recuperada. Uma avaliação pré-operatória detalhada avalia as condições clínicas e cardiovasculares do doador visando a orientar a equipe anestésica envolvida no procedimento operatório.
O que é compatibilidade?
Para que se realize um transplante de medula é necessário que haja uma total compatibilidade tecidual entre doador e receptor. Caso contrário, a medula será rejeitada. Esta compatibilidade tecidual é determinada por um conjunto de genes localizados no cromossoma 6. Por isso, devem ser iguais entre doador e receptor. Esta análise é realizada em testes laboratoriais específicos, a partir de amostras de sangue do doador e receptor, chamados de exames de histocompatibilidade. O laboratório do Centro de Transplante de Medula Óssea funciona no Hospital dos Servidores do Estado. Com base nas leis de genética, as chances de um indivíduo encontrar um doador ideal entre irmãos (mesmo pai e mesma mãe) é de 35%.
O que fazer quando não há um doador compatível?
Quando não há um doador aparentado (um irmão ou outro
parente próximo, geralmente um dos pais), a solução
é procurar um doador compatível entre os grupos étnicos
(brancos, negros amarelos...) semelhantes. Embora, no caso do Brasil, a
mistura de raças dificulte a localização de doadores,
é possível encontrá-los em outros países. Desta
forma surgiram os primeiros Bancos de Doadores de Medula, em que voluntários
de todo o mundo são cadastrados e consultados para pacientes de todo
o planeta. Hoje, já existem mais de 5 milhões de doadores.
O Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME) coordena
a pesquisa de doadores nos bancos brasileiros e estrangeiros.